Liberar totalmente as bases significaria abrir mão de um ativo que Galdino construiu ao longo de anos: a capacidade de transferir votos e controlar palanques locais.
A possível escolha de Adriano Galdino para a vice-governadoria na chapa de Lucas Ribeiro não é apenas um movimento simbólico dentro da base governista. Trata-se de uma decisão com impacto direto na engrenagem eleitoral do Republicanos e, sobretudo, no comportamento das bases que hoje orbitam em torno do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba.
Galdino chega a esse momento como uma das figuras mais influentes da política estadual. Por isso, a pergunta que corre nos bastidores é objetiva: se for vice, ele libera as bases ou mantém uma candidatura estadual “de casa”, preservando seu capital político próprio?
A tendência mais realista é que Adriano Galdino não libere totalmente as bases, mesmo integrando a chapa majoritária. E isso não deve ser lido como traição ou jogo duplo, mas como estratégia política clássica.
Caso seja confirmado como vice, Galdino tende a cumprir dois movimentos simultâneos. No plano institucional, atuará como fiador político da chapa de Lucas Ribeiro, ajudando a consolidar alianças, reduzir resistências e ampliar o alcance do projeto governista, sobretudo no interior. No plano partidário, porém, dificilmente abrirá mão de organizar uma candidatura forte à Assembleia Legislativa — seja a sua própria reeleição ou a de um nome muito próximo, “de casa”, que assegure sua continuidade como líder político.
Liberar totalmente as bases significaria abrir mão de um ativo que Galdino construiu ao longo de anos: a capacidade de transferir votos e controlar palanques locais.
Por outro lado, também é improvável que Adriano Galdino adote uma postura de confronto interno. Não há sinais de que ele jogaria contra a chapa ou estimularia dissidências abertas. O mais provável é um modelo híbrido: apoio formal e ativo à majoritária, combinado com liberdade controlada para que suas lideranças municipais priorizem projetos proporcionais alinhados ao projeto do PP, PSB e Republicanos.
Esse arranjo atende a dois objetivos. Primeiro, garante governabilidade política a Lucas Ribeiro durante a campanha, evitando ruídos públicos. Segundo, preserva a força de Galdino como líder da Assembleia, independentemente de ocupar ou não a vice no exercício do mandato.
Em resumo, se Adriano Galdino for escolhido vice, ele não deve “soltar as rédeas” das bases. A lógica será a da convivência estratégica: unidade na majoritária, autonomia na proporcional. É o tipo de equilíbrio que Galdino conhece bem — e que explica, em grande parte, sua longevidade e centralidade na política paraibana.
Redação: PBAQUI