Anac prevê queda de 8,9% em voos na Paraíba após novos reajustes no preço do querosene de aviação

Em abril, o querosene de aviação sofreu reajuste de 54%, e há previsão de uma nova alta em maio, que pode chegar a cerca de 20%. O encarecimento do querosene de aviação, uma das principais despesas das companhias, já traz cortes de rotas, redução de frequências e ajustes operacionais em diferentes partes do mundo.

O reajuste constante no preço do combustível de aviação, o querosene, já afeta o transporte viário em diversos estados pelo Brasil e deve impactar voos na Paraíba. A previsão é revelada em dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que prevê redução de 8,9% no número de operações previstas para maio no estado.
Ao todo, mais de 2 mil voos foram suspensos no Brasil para o mês, o que representa uma queda de 2,9% na oferta total. O encarecimento do querosene de aviação, uma das principais despesas das companhias, já traz cortes de rotas, redução de frequências e ajustes operacionais em diferentes partes do mundo. De acordo com a Anac, esse número significa cerca de 10 mil assentos a menos por dia disponíveis aos passageiros. Na Paraíba, o ajuste tem atingido principalmente rotas menos rentáveis.
Os destinos mais afetados foram listados pela Anac.
Confira os estados com previsão de maiores cortes no número de voos no mês de maio:
– Amazonas: -17,5%
– Pernambuco (-10,5%)
– Goiás (-9,3%)
– Pará (-9,0%)
– Paraíba (-8,9%)
COMPANHIAS AÉREAS

Após o reajuste de 54% do querosene de aviação no dia 1º de abril, as distribuidoras de combustíveis foram informadas de que deve haver um novo aumento em 1º de maio. Pela estimativa preliminar da estatal, segundo fontes, a alta ficaria em torno de 20% — o percentual depende ainda das variações nos últimos dez dias de abril.

No levantamento realizado a partir de dados do Siros, o sistema de registro de operações da Anac, 2.193 voos por dia estavam previstos inicialmente para o mês de maio (em consulta feita em 2 de abril). Em consulta feita na última sexta-feira (17), o número havia caído para 2.128. Isso significa 2.015 voos a menos por mês e uma redução de 2,9% no fluxo total de viagens.

Parece pouco, mas são 10 mil assentos diários eliminados na aviação doméstica e 12 aeronaves de médio porte — como um Boeing 737, um Airbus 320 ou um Embraer 195 — retiradas de circulação.

Procurada, a Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) afirmou que os impactos decorrentes do aumento do querosene são “gravíssimos” e que “mantém diálogo constante” com o governo em busca de soluções para minimizar o impacto aos passageiros.

De acordo com a entidade, as companhias “continuam trabalhando para efetivar” as medidas anunciadas pelo governo no início de abril para amenizar o reajuste.

O governo zerou a cobrança de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação e postergou o pagamento das tarifas de navegação aérea. Também prometeu financiamento do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil) para a compra do combustível e o parcelamento em seis vezes do reajuste de 54% pela Petrobras.

Dias depois, porém, houve frustração das empresas aéreas quando a estatal divulgou que cobraria juros acima do CDI para parcelar o aumento.

Primeiro, a Petrobras comunicou às distribuidoras de combustíveis a incidência de uma taxa de 1,6% ao mês. Depois, passou para 1,23%. De qualquer forma, os juros mais altos do que a Selic pegaram o setor aéreo de surpresa.

As aéreas afirmam, nos bastidores, que as medidas anunciadas pelo governo até agora são bem-vindas, mas residuais para amenizar a alta de custos.

Elas pedem ainda a volta da alíquota zero do Imposto de Renda sobre o leasing de aeronaves e a reversão do aumento nas alíquotas de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) formalizado no ano passado.

Redação: PBAQUI

Com CNN

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