O investigado, que trabalhava como porteiro de uma escola infantil da Capital, foi preso na última sexta-feira (29), passou por audiência de custódia no sábado (30) e foi encaminhado para o Presídio do Róger.
A prisão do homem suspeito de praticar atos obscenos em vias públicas no bairro dos Bancários, em João Pessoa, revelou uma investigação mais ampla da Polícia Civil envolvendo denúncias de violência sexual contra mulheres. O investigado, que trabalhava como porteiro de uma escola infantil da Capital, foi preso na última sexta-feira (29), passou por audiência de custódia no sábado (30) e foi encaminhado para o Presídio do Róger.
Em entrevista nesta segunda-feira (1º), o delegado Lucas Sá detalhou os principais pontos da investigação.
Como a investigação começou
Segundo o delegado, as primeiras denúncias chegaram à Polícia Civil há cerca de três meses e relatavam atos obscenos praticados em vias públicas.
“Nesse primeiro momento, a situação que foi passada inicialmente de atos obscenos seriam atos genéricos em vias públicas, não teríamos uma vítima determinada ainda. Foi assim que começaram as primeiras denúncias”, explicou.Com o avanço das diligências, a polícia identificou novas vítimas e passou a investigar fatos mais graves.
Relatos de violência contra mulheres
De acordo com Lucas Sá, uma ex-funcionária da escola relatou que os episódios começaram com violência psicológica e evoluíram para situações mais graves.
“Essa pessoa sofreu várias violências, elas foram progredindo. Começou com violência psicológica no ambiente de trabalho, evoluiu para mensagens sexuais no número privado dela e depois para situações mais físicas. Dependendo do entendimento da Justiça, pode ser considerado estupro tentado ou consumado. Ela deu detalhes na delegacia que não vamos expor, mas que de fato dão outra visão para as condutas que essa pessoa vinha praticando”, afirmou.
Havia vítimas entre os alunos da escola?
A principal preocupação dos investigadores era verificar se existiam vítimas dentro da escola infantil onde o suspeito trabalhava.
“O que nos preocupou bastante no início, até por isso nós diligenciamos da forma mais dedicada possível para que a gente conseguisse retirar de circulação quanto antes, era a preocupação que tínhamos de ter alguma coisa contra os alunos daquela escola infantil. Mas eu posso dizer que até hoje, ouvindo todas essas funcionárias, pessoas que conviveram com ele por pelo menos dois anos, nós não temos nenhum indício de atuação em relação às crianças do local. Pelo contrário, as vítimas dele sempre determinadas eram mulheres”, declarou.
O delegado informou ainda que houve um único episódio envolvendo uma adolescente, a exibição de um vídeo pornográfico a uma filha de uma funcionária, mas fora do ambiente escolar.
Escola será investigada e funcionários serão ouvidos
A Polícia Civil vai ouvir a direção da escola, funcionários e analisar imagens do circuito interno de monitoramento.
“A escola já está certificada, já foi intimada e a direção será ouvida. Nos dias seguintes iremos ouvir todos os funcionários da escola. Também requisitamos imagens para analisar todo o circuito interno e descartar qualquer outro fato que possa ter acontecido no local”, disse.
Lucas Sá também fez um apelo para que possíveis vítimas procurem a polícia.
“A partir dessa divulgação oficial, se alguma vítima da escola, de outro lugar, enfim, tiver alguma situação que possa ser importante para a polícia, deve procurar a delegacia para que a gente faça a avaliação dos fatos. Com certeza, se houver alguma outra conduta criminosa, ela será atribuída a ele”, afirmou.
O comportamento do suspeito na prisão
O delegado relatou que o suspeito chamou atenção pela frieza durante a abordagem policial.
“No momento da prisão, o que chamou atenção de toda a equipe foi que era uma pessoa bastante fria, bastante articulada, denotando que de fato essas condutas eram planejadas por ele e praticadas de forma reiterada há bastante tempo”, relatou.
Segundo Lucas Sá, ao perceber que a polícia já possuía diversas informações reunidas, o investigado mudou de postura.
“Quando ele viu que não era uma situação isolada, que a gente já vinha investigando e que tínhamos todas as informações apuradas, começou a chorar e disse que estava arrependido. Assumiu que fez essas situações, não deu detalhes, mas confessou. Inclusive revelou que havia jogado fora duas camisetas que apareciam em vídeos investigados”, concluiu.
O que acontece agora
O suspeito permanece preso no Presídio do Róger enquanto a Polícia Civil continua ouvindo testemunhas, analisando imagens e apurando possíveis novas denúncias. A investigação segue em andamento e não está descartada a identificação de outras vítimas.
