Denúncia de traficantes deu origem à operação que prendeu delegado na Paraíba, revela secretário

A informação foi revelada pelo secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social, Jean Nunes, nesta terça-feira (02)

A Operação Perfidus, que resultou na prisão de um delegado e de agentes policiais suspeitos de integrar um esquema criminoso na Paraíba, teve início a partir de denúncias feitas pelos próprios traficantes investigados pelas forças de segurança.

A informação foi revelada pelo secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social, Jean Nunes, nesta terça-feira (02), ao comentar a investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Paraíba.

Segundo o secretário, criminosos passaram a relatar que drogas estavam sendo roubadas por integrantes do esquema investigado, que, de acordo com as apurações, contava com a participação de agentes públicos.

“A Polícia Civil recebeu algumas denúncias de próprios traficantes, outros traficantes que estavam tendo suas drogas roubadas e furtadas. Veja só que cenário é esse”, afirmou.

Esquema usava estrutura policial, diz investigação

De acordo com as investigações da Operação Perfidus, os suspeitos não utilizavam a estrutura estatal para combater o tráfico de drogas, mas para obter vantagens financeiras por meio da atividade criminosa.

Conforme o Ministério Público e a Polícia Civil, o grupo recebia informações privilegiadas sobre imóveis e veículos utilizados por organizações criminosas para armazenar e transportar entorpecentes. A partir desses dados, realizava incursões clandestinas e abordagens utilizando a condição funcional de policiais.

A investigação aponta que parte das drogas era oficialmente apreendida, enquanto outra parcela era desviada. Os entorpecentes, segundo as apurações, eram revendidos para facções rivais ou utilizados como instrumento de extorsão contra os próprios traficantes.

Em alguns casos, a suspeita é de que integrantes do esquema cobravam valores para devolver carregamentos de drogas ou evitar prejuízos a determinados grupos criminosos.

Foi justamente nesse contexto que surgiram as primeiras denúncias que deram origem à investigação.

“Houve uma reclamação nesse sentido. A polícia aprofundou, identificou a partir da sua perícia de investigação e conseguiu aprofundar esse trabalho. Veja que tem mais de um ano de operação”, declarou Jean Nunes.

Secretário diz que policiais atuavam como traficantes

De acordo com o secretário, as investigações revelaram uma estrutura criminosa infiltrada em órgãos de segurança pública.

“Esses policiais que foram presos não passam disso: traficantes. Estavam envolvidos em repassar droga para facções. Isso é muito grave e por isso essa operação tem um valor muito importante”, afirmou.

Jean Nunes destacou ainda que a operação foi realizada em conjunto pela Polícia Civil, por meio da Draco e da Unintelpol, e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.

“Essa operação é feita em conjunto exatamente para demonstrar que o Estado, as forças de segurança e o Ministério Público estão unidos para combater o crime organizado e as facções aqui no Estado”, disse.

A Operação Perfidus cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. As investigações apontam que integrantes do grupo utilizavam a estrutura estatal para desviar drogas, repassar informações sigilosas e beneficiar organizações criminosas. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões dos investigados.

Redação: PBAQUI

Com Maurilio Junior

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