Segundo o presidente do TSE, apesar das dificuldades provocadas pela medida, a apuração prosseguiu sem prejuízo à eleição.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou neste domingo (25) que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de prorrogar a votação até as 19h não comprometeu o processo eleitoral. Segundo ele, apesar das dificuldades operacionais provocadas pela medida, a apuração prosseguiu sem prejuízo à eleição. Nunes Marques reconheceu a reeleição de Lula e a derrota de Flávio e ligou para ambos para informar o resultado da votação.
“Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Temos absoluta confiança em todo o processo eleitoral”, declarou o ministro na coletiva de imprensa do TSE após a votação. Nunes Marques explicou que a determinação exigiu mudanças nos procedimentos de apuração e reforço na segurança de servidores e mesários em todo o país.
De acordo com o presidente do TSE, milhares de urnas já haviam sido encerradas quando a decisão foi anunciada. Como os equipamentos não permitem reabrir a votação após o encerramento, o tribunal precisou bloquear temporariamente o recebimento dos Boletins de Urna para impedir o acesso antecipado às informações. O ministro afirmou que a equipe técnica adotou as medidas necessárias para manter a regularidade da apuração.
Votação prorrogada
A extensão do horário foi determinada pelo ministro do STF Cristiano Zanin, após solicitação da Coligação Brasil Pronto Pra Mais, ligada à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O grupo alegou que a redução da frota de ônibus em municípios da Bahia e de São Paulo prejudicou o deslocamento de eleitores até os locais de votação.
Em Salvador, segundo a coligação, uma fiscalização judicial constatou que mais da metade da frota habitual de dias úteis permanecia nas garagens. O secretário de Mobilidade da capital baiana chegou a ser preso por determinação da Justiça Eleitoral.
Antes de recorrer ao STF, a coligação também havia encaminhado pedido a Nunes Marques. Por volta das 16h05, o ministro determinou que as prefeituras envolvidas prestassem esclarecimentos em até 30 minutos. Diante da urgência alegada, a campanha acionou o Supremo.
Na decisão, Zanin determinou a extensão do encerramento da votação por duas horas, até as 19h, no horário de Brasília. Inicialmente, a medida abrangia todas as seções eleitorais do país. Após receber informações de que diversas urnas já haviam sido encerradas, o ministro esclareceu que a prorrogação deveria valer apenas para as seções que continuavam abertas.
Pedido de Flávio Bolsonaro
Também no domingo, o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, havia acionado o TSE para solicitar a prorrogação da votação em São Paulo, no Paraná e em Santa Catarina, alegando dificuldades relacionadas às condições climáticas.
Após a confirmação da vitória de Lula, Flávio declarou que não reconheceria o resultado e que pediria a anulação das eleições, questionando a decisão que estendeu o horário de votação.
Resultado da eleição
Lula foi reeleito presidente da República no segundo turno deste domingo (25), ao superar Flávio Bolsonaro. O petista obteve 51,79% dos votos, conforme a apuração divulgada pelo TSE.
A eleição também marcou uma virada inédita e histórica: essa foi a primeira vez que um candidato derrotado no primeiro turno conseguiu reverter o resultado e vencer no segundo turno.
Redação: PBAQUI
