Lixo, entulhos e silêncio: quase dois anos de gestão sem resposta para Cajazeiras

Em praticamente todos os bairros, moradores relatam coleta irregular, entulhos acumulados e pontos de descarte que permanecem dias ou até semanas sem receber qualquer atenção.

Já se passaram mais de um ano e meio desde o início da gestão da prefeita Corrinha Delfino, mas um problema continua desafiando a administração municipal e testando a paciência da população: o lixo espalhado pelas ruas de Cajazeiras.

Em praticamente todos os bairros, moradores relatam coleta irregular, entulhos acumulados e pontos de descarte que permanecem dias ou até semanas sem receber qualquer atenção. O cenário compromete a paisagem urbana, prejudica a mobilidade, favorece a proliferação de insetos e animais e representa um risco à saúde pública.

O mais intrigante é que, diante de tantas reclamações, impera o silêncio. A empresa responsável pela coleta de lixo raramente vem a público para explicar as falhas na prestação do serviço, apresentar um cronograma de regularização ou esclarecer quais dificuldades enfrenta. Da mesma forma, a administração municipal também tem sido discreta ao tratar de um problema que afeta diretamente a vida dos cajazeirenses.

A limpeza urbana não é um favor prestado à população; é um serviço essencial. Quando ele falha, a gestão pública tem o dever de agir com rapidez, fiscalizar o contrato, cobrar resultados da empresa responsável e, se necessário, aplicar as medidas previstas para garantir que o serviço seja executado com qualidade.

A população não espera discursos elaborados nem justificativas intermináveis. Espera ver o caminhão da coleta passar regularmente, as ruas limpas e os entulhos removidos em tempo razoável. Espera, sobretudo, respeito.

É natural que qualquer governo enfrente dificuldades administrativas. No entanto, quando um problema persiste por tanto tempo, deixa de ser uma dificuldade passageira para se tornar um retrato da capacidade de gestão. Afinal, mais de dezoito meses representam tempo suficiente para identificar falhas, reorganizar o serviço e apresentar soluções efetivas.

A ausência de informações oficiais apenas amplia a insatisfação popular. Transparência não resolve o problema do lixo, mas demonstra respeito com quem paga impostos e depende dos serviços públicos. Explicar o que acontece, quais providências estão sendo adotadas e quando a situação será normalizada deveria ser uma obrigação de qualquer administração comprometida com a população.

Cajazeiras merece muito mais do que conviver diariamente com montes de lixo e entulhos. Merece uma cidade limpa, organizada e uma gestão que enfrente os problemas de forma transparente e eficiente.

Enquanto isso não acontece, o lixo continua ocupando as ruas — e o silêncio continua ocupando o lugar das respostas.

Redação: PBAQUI

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