MP denuncia delegado e policiais por esquema de desvio de drogas apreendidas na Paraíba

De acordo com o Ministério Público, a investigação foi construída com base em vídeos publicados nas redes sociais, imagens, perícias digitais, quebra de sigilos e análise de aparelhos eletrônicos.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) apresentou, nesta sexta-feira (24), denúncia contra o delegado Braz Morroni de Paiva Júnior, os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, além de José Alexandrino de Lira Júnior. A acusação é um dos desdobramentos da Operação Perfidus e atribui aos denunciados crimes como furto qualificado, fraude processual, falsificação de documento público e abuso de autoridade. Conforme a denúncia, esses fatos integram uma investigação mais ampla sobre uma organização criminosa infiltrada na Polícia Civil da Paraíba.

De acordo com o Ministério Público, a investigação foi construída com base em vídeos publicados nas redes sociais, imagens, perícias digitais, quebra de sigilos e análise de aparelhos eletrônicos. A denúncia afirma que foram identificados áudios, fotografias e registros de conversas que, segundo os promotores, demonstram o planejamento de incursões policiais não oficializadas, o desvio de drogas apreendidas e a posterior negociação dos entorpecentes. O material também inclui movimentações financeiras e outros elementos utilizados para sustentar a acusação.

Ainda segundo a denúncia, um dos episódios investigados ocorreu após uma entrada considerada ilegal em um imóvel, onde policiais teriam localizado grande quantidade de drogas. O Ministério Público sustenta que apenas uma pequena parte do material foi oficialmente registrada, enquanto o restante teria sido retirado do local sem formalização. A acusação afirma que documentos públicos foram posteriormente elaborados para conferir aparência de legalidade à ocorrência e ocultar a real quantidade de entorpecentes encontrada.

O Ministério Público também afirma que interceptações e dados extraídos dos dispositivos eletrônicos revelaram conversas sobre o destino das drogas desviadas e a divisão dos valores obtidos com a comercialização dos entorpecentes. Conforme a peça acusatória, as investigações apontam que a atuação do grupo envolvia policiais civis e pessoas ligadas ao tráfico, com divisão de tarefas e utilização da estrutura pública para favorecer as atividades criminosas.

A denúncia foi protocolada na 2ª Vara Regional das Garantias e caberá agora ao Judiciário analisar se recebe ou não a acusação para abertura da ação penal.

Redação: PBAQUI

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