Tribunal de Ética da OAB-PB vai apurar prisão de advogado suspeito de agressão à namorada

Harrison Targino explicou que, até o momento, a OAB-PB não recebeu informações oficiais sobre a ocorrência.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Paraíba (OAB-PB), Harrison Targino, informou que determinou a abertura de um procedimento administrativo no Tribunal de Ética e Disciplina (TED) da entidade para apurar o caso envolvendo a prisão do advogado Hilton Maia, investigado por suposta agressão contra a namorada.

Harrison Targino explicou que, até o momento, a OAB-PB não recebeu informações oficiais sobre a ocorrência e que os detalhes conhecidos foram divulgados apenas por meio de portais de notícias e redes sociais.

“O fato ainda não foi informado, nós não temos dados do ocorrido, de circunstâncias, nem do que de fato ocorreu, sendo somente divulgado nos portais de notícias e redes sociais. Por este motivo, determinei a abertura de procedimento administrativo no Tribunal de Ética e Disciplina da OAB, inclusive oficiar a Delegacia da Mulher para que sejam remetidas informações acerca do ocorrido, das acusações, de todas as circunstâncias relativas ao fato”, declarou.

Harrison Targino acrescentou que o presidente do TED da OAB-PB, Raphael Viana, oficiou a Policia Civil solicitando informações sobre o caso. Ele ressaltou que a Ordem mantém o compromisso com a defesa da dignidade humana, mas destacou a necessidade de uma apuração criteriosa antes de qualquer conclusão.

“Preciso lembrar do comprometimento que a OAB tem com valores da dignidade humana, mas o cuidado que há de ter na averiguação efetiva dos fatos e na análise dos ocorridos”, acrescentou.

OAB

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é uma instituição que representa os advogados enquanto classe profissional. Ela é encarregada de fiscalizar e orientar o exercício da advocacia, além de coibir práticas que infrinjam o Código de Ética. 

A OAB foi criada no ano de 1930, com a publicação do Decreto 19.408/30. A organização substituiu o antigo Instituto de Advogados Brasileiros (IAB), devido a transformações que ocorreram com a Revolução de 1930, um movimento armado que depôs o presidente Washington Luís.

Após a vitória do movimento armado que levou Getúlio Vargas ao poder, um dos primeiros atos do novo presidente foi instituir o Decreto que criava a OAB. Desde lá, a função primordial da instituição é fiscalizar, defender e representar a classe dos advogados.

Em caso de violência contra a mulher, ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra as mulheres. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O Ligue 180 presta os seguintes atendimentos:

  • Orientação sobre leis, direitos das mulheres e serviços da rede de atendimento (Casa da Mulher Brasileira, Centro de Referência, Delegacia de Atendimento à Mulher – Deam, Defensoria Pública, Ministério Público, entre outros);
  • Informações sobre a localidade dos serviços especializados da rede de atendimento;
  • Registro e encaminhamento de denúncias aos órgãos competentes;
  • Registro de reclamações e elogios sobre os atendimentos prestados pelos serviços da rede de atendimento.

É possível fazer a ligação de qualquer lugar do Brasil ou acionar o canal via chat no Whatsapp (61) 9610-0180 ou pelo e-mail central180@mulheres.gov.br. Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do 190.

Violência contra a mulher

Confira dados do Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com as informações mais recentes sobre as diversas formas de violência contra mulher:

  1. 40,7% das mulheres brasileiras foi vítima de violência ou agressão ao longo da vida.
  2. Mulheres vítimas relataram, em média, mais de três tipos diferentes de violência no último ano da amostra (2024).
  3. 31,4% das brasileiras sofreram ofensas verbais (insulto, humilhação ou xingamento), crescimento de 8 pontos percentuais em relação à pesquisa de 2023.
  4. 16,9% relataram ter sofrido agressão física por meio de batida, tapa, empurrão ou chute, maior prevalência registrada desde a primeira edição da pesquisa.
  5. 16,1% foram ameaçadas de sofrer algum tipo de agressão física e 95 mil foram vítimas de stalking (perseguição).
  6. 1 em cada 10 mulheres sofreram abuso sexual e/ ou foram forçadas a manter relação sexual contra sua vontade em 2024.
  7. 8,9% sofreram lesão em decorrência de um objeto que lhes foi atirado, enquanto 7,8% sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento e 6,4% foram ameaçadas com faca ou arma de fogo.
  8. 3,9% das respondentes relataram terem tido fotos ou vídeos íntimos divulgados na internet sem seu consentimento.
  9. Considerando a situação conjugal, as divorciadas (60,9%) apresentaram prevalência superior à de solteiras (53%), casadas (44,4%) e viúvas (51,8%). Isto é, o rompimento da relação  pode ser mais um fator de vulnerabilidade.
  10. Um dado relevante de ser considerado diz respeito à presença de outros familiares como autores da violência no último ano, tais como pais e mães (5,2%), padrastos e madrastas (4,1%), filhos e filhas (3%), um indício de que a violência contra mulheres, mais do que doméstica, é também intrafamiliar.
  11. Apenas 25,7% das mulheres que sofreram violência no último ano buscaram órgãos oficiais, enquanto 33,8% procuraram órgãos não oficiais (como família e amigos), e 47,4% não fizeram nada.
  12. 32,4% das brasileiras com 16 anos ou mais sofreram violência física ou sexual provocada por parceiro íntimo ou ex-parceiro. A média global é de 27%.
  13. A prevalência é maior entre mulheres com idade entre 25 e 34 anos (46,8%) e 45 a 59 anos (44,9%), com ensino fundamental (45,5%), e entre as mulheres negras (41,9%) comparativamente às mulheres brancas (37,8%).
  14. Em relação ao local de residência, mulheres que residem no interior (40,2%) e em capitais e regiões metropolitanas (41,5%) apresentam vitimização muito similar.
  15. A vitimização de mulheres com filhos (43,8%) é maior do que entre as que não possuem filhos (33,7%).
  16. Desrespeito e perda de autoestima: 31,6% afirmam ter sido menosprezadas pelo parceiro íntimo ou ex-parceiro  a ponto de se sentirem inúteis.
  17. Intimidação: 30,6% vivenciaram situações em que o parceiro íntimo e/ou ex-parceiro deu chutes ou socos em portas ou paredes quando estava com raiva.
  18. Obstáculo à independência: 17,1% afirmam que o parceiro íntimo e/ou ex-parceiro pediu que elas deixassem de trabalhar ou estudar fora de casa por ciúmes.
  19. Domínio financeiro: 10% relatam que foram impedidas de ter seu próprio dinheiro pelo parceiro íntimo e/ou ex-parceiro.

Redação: PBAQUI

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