As declarações reveladoras foram prestadas com exclusividade, pelo profissional de construção civil, o gesseiro Gildivam Melo dos Santos, de 31 anos de idade, conhecido como Gil.
Uma denúncia de extrema gravidade, que reúne indícios de desvio de dinheiro público, improbidade administrativa e coação exercida por facções criminosas, coloca a gestão do prefeito Lucas Gonçalves Braga (Luquinha do Brasil – PSB), do município de Marizópolis, Sertão da Paraíba, no centro de uma apuração conduzida pela Polícia Federal. As declarações reveladoras foram prestadas com exclusividade, pelo profissional de construção civil, o gesseiro Gildivam Melo dos Santos, de 31 anos de idade, conhecido como Gil.
Contratado no ano de 2021 para executar a instalação e o acabamento de forro na obra de construção da residência particular de Lucas Braga, Gildivam expôs os bastidores de um suposto esquema em que o trabalho privado teria sido quitado com verbas oriundas dos cofres da Prefeitura de Marizópolis. Segundo o denunciante, uma das transferências bancárias teria sido feita da conta do programa federal “Criança Feliz”, em parceria com o Governo Federal.
Da obra privada ao caixa público: o relato do trabalhador
Ainda de acordo com o depoimento de Gil, a contratação ocorreu sob a premissa de um serviço de construção civil residencial comum. No entanto, o fluxo financeiro revelou um cenário de suposta ilicitude no uso dos recursos do município.
“Eu fui contratado para fazer o serviço de forro na obra de construção da residência particular do prefeito Lucas Braga, mas o dinheiro utilizado para quitar o trabalho não veio do bolso dele, veio diretamente de recursos da Prefeitura”, declarou Gildivam Melo.
Após o término e avanço de etapas no canteiro de obras, surgiram divergências de caráter financeiro e contratual referentes a saldos devedores, serviços adicionais solicitados pelo gestor e, sobretudo, quanto ao questionamento da legalidade do pagamento com verbas públicas.
A escalada das intimidações e o envolvimento de facções
O relato do profissional inclui a informação que a cobrança dos valores devidos e a recusa em silenciar diante das irregularidades deflagraram uma onda de retaliações. As pressões deixaram o campo administrativo para atingir a integridade física e psicológica do trabalhador e de seus familiares.
Gildivam afirma que passou a ser alvo de tentativas de intimidação articuladas diretamente pelo gabinete do gestor e expandidas para o crime organizado.
“Quando eu cobrei o pagamento devido e questionei essa irregularidade dos recursos públicos na obra dele, a reação foi imediata. Passei a receber ameaças do próprio prefeito Lucas Braga, de auxiliares diretos da gestão e até mesmo de faccionados que atuam dentro e fora do sistema prisional para que eu ficasse calado”. revelou o prestador de serviço.
A denúncia do gesseiro aponta também que mensagens e recados de intimidação teriam sido enviados por indivíduos associados a facções criminosas com atuação no sistema carcerário e nas ruas, criando um clima de pavor para impedir a exposição dos fatos.
“Não foram apenas recados do prefeito e dos auxiliares dele. Eu recebi ameaças diretas de pessoas ligadas a facções criminosas, gente que atua tanto dentro quanto fora do sistema prisional para me intimidar e me fazer recuar”, reforçou o trabalhador.
Investigação sob responsabilidade da Polícia Federal
Diante do conjunto de provas documentais, áudios e depoimentos colhidos, a ocorrência ultrapassou a esfera municipal e foi encaminhada às autoridades federais. A Polícia Federal instaurou procedimento formal – IPL 2023.0002812-DPF/PAT/PB – para apurar a possível prática de peculato (desvio de dinheiro público para fins privados), improbidade administrativa e coação sob ameaça qualificada.
Com medo das represálias, Gil deixou a cidade de Marizópolis e passou a residir em outro estado da federação. Ao Cidade Notícia, ele ainda relatou que já prestou depoimento à Polícia Federal em Patos em duas oportunidades e aguarda que a justiça seja feita.
Assista a entrevista completa:
O outro lado
A reportagem procurou a Assessoria Jurídica da Prefeitura de Marizópolis nesta terça-feira (08). O advogado Francisco Fernandes Abrantes respondeu que iria manter contato com o prefeito Luquinha do Brasil para se pronunciar acerca do assunto, mas até o fechamento desta matéria, às 18h48, não foram enviadas respostas aos questionamentos.
A reportagem também entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Polícia Federal da Paraíba para obter mais informações sobre o andamento do inquérito policial, mas até o momento não houve retorno às solicitações.
Redação: PBAQUI
Com Blog do levi / Cidade Notícia
