Homem é detido após disparo em cadela com arma artesanal na zona rural de Taperoá

Animal foi atingido por disparo de uma arma conhecida como “soca-soca”; testemunha relatou à Polícia Civil que a cadela não havia atacado os animais da propriedade e acionou a Polícia Militar.

Um caso de possível maus-tratos contra animal está sendo investigado pela Polícia Civil após uma cadela ser atingida por um disparo de arma de fogo na manhã de domingo (1º), no Sítio Quixaba, zona rural de Taperoá. Um homem já foi detido no âmbito da ocorrência.

De acordo com o depoimento prestado à Central de Flagrantes de Juazeirinho, o tutor do animal, Cristiano Marinho, relatou que estava na residência dos pais e, por volta das 8h30, saiu para passear com sua cadela, uma vira-lata de aproximadamente seis anos de idade.

Segundo a testemunha, o animal estava solto, sem coleira ou guia, quando avistou jumentos, ovelhas e bodes nas proximidades de um açude. A cadela teria corrido atrás dos animais, que também começaram a correr, mas, conforme o relato, não chegou a atacá-los.

O tutor afirmou que tentou alcançar a cachorra, mas ela se afastou. Em seguida, ouviu um disparo e um grito do animal. A cadela ainda correu em sua direção, mas caiu pouco depois.

Ao se aproximar, Cristiano percebeu que o animal havia sido atingido. Ele relatou ter visto dois homens nas proximidades, um vestindo camisa azul e outro camisa laranja, mas disse não conseguir identificá-los. A arma utilizada não foi visualizada com precisão, embora o estampido tenha sido muito forte.

Conforme as informações repassadas sobre o caso, o disparo teria sido efetuado com uma arma artesanal conhecida como “soca-soca”.

Após o ocorrido, o tutor levou a cadela para perto da residência da mãe e acionou a Polícia Militar pelo telefone 190. Devido à gravidade do ferimento, o animal foi levado com urgência para Patos, onde deveria receber atendimento veterinário.

Ainda segundo o depoimento, uma mulher apareceu posteriormente e afirmou que o animal estaria atacando os bodes e já teria matado três deles. Cristiano contestou a informação e declarou não ter conhecimento de envolvimento da cadela em ataques anteriores a rebanhos.

No momento em que prestou depoimento, o animal ainda estava vivo, mas apresentava o corpo bastante arroxeado. A cadela havia recebido medicação e aguardava providências para atendimento.

Caso será encaminhado ao Ministério Público

O caso está sendo tratado como suspeita de maus-tratos contra animal, com emprego de arma de fogo e lesão. Um homem já se encontra detido, e a atuação junto ao Ministério Público deverá subsidiar a formalização da denúncia e a análise da necessidade de manutenção da prisão preventiva.

A medida busca permitir que o investigado responda ao processo preso, considerando a gravidade atribuída à ocorrência.

As circunstâncias do disparo, a identificação dos envolvidos e a dinâmica dos fatos deverão ser esclarecidas no decorrer da investigação policial.

Nota da família

A família do agricultor Edivaldo Romero, detido neste domingo (1º) após uma ocorrência envolvendo uma cadela atingida por um disparo de arma de fogo no Sítio Quixaba, zona rural de Taperoá, divulgou um pronunciamento sobre o caso. Na manifestação, os familiares defendem que todas as circunstâncias sejam consideradas durante a apuração e chamam atenção para a responsabilidade dos tutores de animais em áreas rurais.

Confira a nota enviada na íntegra:

É importante que a situação envolvendo Edivaldo Romero seja compreendida para além da repercussão do ocorrido. Estamos falando de um trabalhador rural, agricultor e criador de caprinos, que tira da sua criação parte do sustento de sua família. Por isso, é necessário considerar também a realidade de quem vive da terra e enfrenta diariamente as dificuldades de manter uma produção.

Existe uma questão que precisa ser discutida: a responsabilidade de quem leva seus animais para ambientes rurais. Nas cidades, é comum que os cães sejam levados para passear utilizando coleiras e guias. Mas, quando chegam à zona rural, parece que essa responsabilidade deixa de existir. Os animais são soltos como se aquele espaço não tivesse moradores, propriedades, criações e atividades produtivas.

Se alguém leva seu cachorro para passear, precisa garantir que ele esteja sob controle. A ausência de coleira e guia não é um detalhe, especialmente em locais onde existem rebanhos. Ataques de cães a caprinos e ovinos podem provocar ferimentos, mortes, abortos, estresse nos animais e prejuízos significativos aos criadores. E essa não é uma realidade desconhecida pelos produtores da nossa região, que já enfrentaram situações semelhantes.

Também precisamos lembrar que cabras e ovelhas são animais e, assim como os cães, sentem dor, medo e sofrem. A proteção animal não pode ser seletiva. Não podemos defender o bem-estar dos cães e ignorar o sofrimento dos animais de produção, muito menos desconsiderar as famílias que dependem deles para sobreviver.

Isso não significa banalizar a morte de um animal ou deixar de reconhecer a importância da proteção contra maus-tratos. Significa compreender que existem responsabilidades de todos os envolvidos e que a situação precisa ser analisada em sua totalidade, sem julgamentos precipitados.

O artigo 936 do Código Civil estabelece a responsabilidade do dono ou detentor pelos danos causados por seus animais, ressalvadas as exceções legais. Quem cria animais de estimação tem o dever de cuidar e impedir que eles causem danos a terceiros. Da mesma forma, quem trabalha no campo também tem seus direitos, e sua criação não pode ser tratada como algo sem valor.

Manifestamos nossa solidariedade a Edivaldo Romero, reconhecendo sua realidade como trabalhador e criador, e defendemos que os fatos sejam apurados com justiça, considerando todas as circunstâncias do ocorrido.

A zona rural não é terra sem lei. É território de pessoas, famílias, trabalhadores e animais. O respeito precisa alcançar todos eles. A proteção animal deve ser para todos os animais, e a responsabilidade também.

Redação: PBAQUI

Com Patos Online

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